"O amor pode falhar, mas o cava-
lheirismo prevalecerá" - K.V. apud J.F.

o führer mameluco


and "love is

not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah"



Escrito por Luciano �s 23h40
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de como ela roça meu mamilo, e a gente ri

Se você pensa um pouco, ou muito, não importa a medida, sempre tende a concluir que está só. Desgraçadamente só. Imerso em si mesmo, seus pensamentos vão e vem o tempo todo, retornando sempre aos mesmos pontos, pras velhas perguntas, saltando de um lado pro outro num ciclo sem fim. Isto te absorve, e você acha que só você pensa assim, naquele momento, naquela intensidade. Fraqueja num relance, refletindo que é mesmo aterrador só de tentar traduzir um pouco de tudo isto, e que tudo isto acaba passando por uma frestinha ridícula de tão estreita para virar um tantinho assim de palavras que não dão conta de representar uma ínfima parte do todo.

Então você não diz nada.

E você segue um pouco rápido a pé pelo terreno acidentado, desviando de buracos e subindo e descendo as fronteiras desniveladas das calçadas de diferentes casas, de fone auricular ouvindo algo, você sente tudo isto, a respiração ligeiramente ofegante, a panturrilha contraindo na subida do aclive, a bolsa resvalando em sua coxa direita, as moedas tilintando no bolso esquerdo da calça, a musiquinha que aperta um pouco seu peito, a camisa dobrada pressionando seus antebraços, as nuvens arroxeadas do fim da tarde que estão ali sobre aqueles prédios, e cada uma destas sensações remetendo a outras, sucessivamente numa espiral, reverberando suavemente até em pontos da memória os quais você já não costuma visitar. Você se sente mais tranqüilo, que tudo isto não precisa virar palavra, passar por fresta qualquer e se dilapidar a ponto de se tornar irreconhecível.

Então você não diz nada. Mas então sorri.

Mal se dá conta e já está no hall do seu andar, o elevador se fechando atrás de você. Abre a porta, ou ao menos tenta abrir durante o tempo em que a chave teima em não encaixar e você começa a se questionar se este é mesmo o apartamento, quer dizer, e a chave encaixa em um momento qualquer e você, claro, gira a chave pro lado errado e pensa que, puxa, toda vez eu giro pro lado errado, por quê? por quê? E quando a chave e fechadura e você finalmente se entendem, quando resolvem se liberar e dispersar como se estivessem no fim de uma reunião de velhos amigos onde todos estão muito cansados e apesar de se gostarem muito não vêm a hora de sair dali pra chegar em casa e brigarem com a chave e fechadura e esta coisa toda, você entra.

Então você usa a mão direita (sempre a errada) para passar a alça que enrosca na orelha esquerda e vai puxando cabelo acima até finalmente passar toda e quase enroscar também na orelha direita e, ufa, coloca a bolsa em uma das cadeiras e caminha para o sofá de onde ela olha pra você e sorri.

Ela te observou enquanto você lutava com a bolsa, viu seu cabelo um pouco desgrenhado, a camisa escorregando um pouco pra fora da calça, a calça um pouco amassada, suas olheiras de sempre, e sorriu um pouco mais esticado.

Daí você se senta ao lado, coloca a mão na nuca dela e diz oi. Ela não responde, desfazendo o sorriso-um-pouco-mais-esticado num semblante neutro, e te olha diretamente nos olhos, alternando a atenção pras suas sobrancelhas, pra ponta do seu nariz, pro contorno da sua boca, pras fronteiras imaginárias que delimitam suas bochechas, e voltando pros seus olhos. E você se atrapalha e não lembra se já falou com ela e diz oi. Mais uma vez ela não responde, continua lá te olhando. Você desvia um pouco o foco, observa a cortina branca verticalmente ondulada logo atrás dela.

Volta a olhar pra ela, agora também diretamente nos olhos, como ela faz, e você se vê, reflexo na íris dela, e num instante percebe que os oi eram mesmo desnecessários, e sabe que você não está só, já que ali não há frestas, que nada precisa virar palavra, ela é você na íris dela, e você é ela na sua íris.

Então vocês não dizem nada; e riem ao mesmo tempo em que ela toca o seu tórax e desliza roçando seu mamilo.



Escrito por Luciano �s 23h22
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só de sunga

Toda Pessoa Comum não tem mais que uns treze anos de idade mental. 
 
A Pessoa Comum, destas que são quase todas, anda como que dando saltinhos em trilha sonora da Coca-Cola*, vivendo sem uma rugazinha a lhe conspurcar a cútis aveludada, sem um grama de peso na consciência; de tão intumescida de bons sentimentos.
 
De tão esquiva, A Pessoa Comum é praticamente inimputável. Para cada acusação, um sem número de justificativas  - exemplos  perfeitos de contrição.
 
A cada manhã A Pessoa Comum te lasca todo, e você ainda se vê culpado, escarafunchando cada canto da memória, apalpando polegada por polegada, porque a culpa só pode ser sua, lascado, claro, já que A Pessoa Comum é assim tão síntese da pureza das crianças.
 
No Orkut: A Pessoa Comum só não consegue viver "sem Deus no coração", e mantém album de fotos em traje de banho. Repito: foto só de traje de banho no Orkut. De biquini ou sunguinha (o que é infinitamente pior) - férias em região qualquer do Nordeste.
 
A Pessoa Comum é romântica, bem do tipo que combina as letras do nome do par com iniciais de palavras fofas. Vamos relembrar? Exemplo:
 
J ovem
U biquo
A tencioso
R esfolegante
E xcepcional
Z issou, Steven
 
Você acha engraçado e pensa, nossa, A Pessoa Comum é tão cute. Vem aqui me dar um abraço, Pessoa Comum, me fazer personagem do Nabokov. Depressa, vem me dar um ósculo e vá correndo receber suas moedas de prata.  Pois você é mais cute que um panda todo fôfo, Pessoa Comum.
 
Só A Pessoa Comum tem para si os portões do céu escancarados;  todos os outros ficam aí a se purgar, esturricando em sentimentos de culpa, ofegantes em busca do Bem, tentando de com força discernir virtudes de vícios, toda essa autocomiseração judaico-cristã e tal .
 
 
* Porque "a juventude", dizia o grande Bandeira, que Deus o tenha, "é uma banda numa propaganda de refrigerantes."



Escrito por Luciano �s 23h21
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Cheever drinking coffee!?



Escrito por Luciano �s 13h26
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