"O amor pode falhar, mas o cava-
lheirismo prevalecerá" - K.V. apud J.F.

o führer mameluco


a million motives to procrastinate

Às vezes eu dava um passo para o lado e minha gravata vermelha balançava em pêndulo, no que os professores da banca pregavam os olhos nela até que o movimento cessasse em absoluto; daí, só de graça, eu dava um passo para o lado contrário e os deixava hipopotizados lá com o pêndulo balouçando.

Sério, eu queria ser punido pela Vida.

Acontece que procrastinei o tempo inteiro, e quando chegou o deadline fiz as coisas mais ou menos de qualquer jeito. Ainda assim os doutores da banca - um japonês [olha só o pleonasmo] de cara amassada e um outro de cabelos brancos - disseram que meu projeto de pesquisa é lindo como um arco-íris, fofo como um beija-flor a bitocar flores de um campo verdejante sem fim. E também disseram que meu português escrito é muito claro, e mais fluente que as enxurradas das ruas de São Paulo.

Mas eles ficaram mesmo impressionados quando, sem mais nem menos, executei um moonwalk da mesa onde eu estava até o fundo da sala, mantendo as mãos espalmadas como se estivesse tentando segurar uma parede imaginária. Os queixos deles - dos dois doutores mais meu orientador-doutor - deslocaram-se num tempo só e estatelaram sobre a mesa retangular, espatifando os copos de Lindóia e esguichando água mineral para todo lado.

Sinceramente, eu queria que a Vida me ensinasse alguma coisa. Mas a Vida é professora do Estado, ganha um salário mínimo e não tem nem onde esquentar a marmita. Isso quando não murcham os pneus de sua barra-forte e ela tem que empurrar a bicicleta por uns dezoito quilômetros até chegar num posto, desses que vendem gasolina adulterada, para encher os pneus e comentar com o frentista: "É, não é fácil não, seo Cleodecir! Rapadura é doce mas não é mole não!". E o senhor Cleodecir só faz tirar o boné, coçar o cabelo de esponja de aço e abrir um sorriso corintiano com mais gengiva que dentes.

Ah, me lembrei. Dia desses vi uma "moça" cantando e dançando na TV. Ela tinha uma dessas vozes infernais, que não podem ser reproduzidas nem por um exército de fanfarras de crianças do primeiro grau, e chacoalhava o corpo o tempo inteiro, jogando a cabeça para os lados com tanta força que já estava vendo a cabeça dela desparafusar, cair no chão e sair quicando pelo palco. Mas nada aconteceu e fiquei um pouco frustrado.

Tudo isso, sobre a Vida não me aplicar corretivos e cabeças desparafusadas, me fez pensar muito seriamente sobre uma coisa. Vamos supor que antes do teu nascimento chegassem para você e te perguntassem:

– Olha, o negocio é o seguinte, você precisa escolher, quer ter uma “cabecinha” ou um “cabeção”?
– Hã? – você responderia.
– O diâmetro da sua cabeça, mané. Di-â-me-tro. Entendeu? Quer ter uma cabeça pequenina ou um cabeção? Não, não, não pode ser uma cabeça normal. Ou cabecinha ou cabeção. Escolhe.

Bom, particularmente fico horrorizado quando vejo alguém que tem uma cabecinha em cima de um corpo maior, desproporcional, sabe? É como se a cabeça tivesse murchado durante a vida, ou como se o suco cerebral do sujeito tivesse sido sugado de canudinho por um personagem monstruoso do Lovecraft; diferente do cabeção, que dá a impressão de que o sujeito estudou bastante, ou que no mínimo tem uma doença interessante que lhe dá uma cabeça d'água. Não sei você, mas para mim "cabecinha" é bem pior. Eu escolheria um cabeção. Sei lá.

Mas a Vida, aquela lascrefenta...

[Agora eu estou desesperado, com os olhos arregalados e a boca bem contorcida te seguro pela gola da camisa.]

Mas não, a Vida não quer me ensinar nada. NADA. NADA. O quê que eu faço então, se a Vida não me ensina nada? Como vou crescer *a nível* de PESSOA? HEIN? HEIN? Quando vou deixar de procrastinar? PROCRASTINAR. ME DIZ, ME DIZ, por piedade!

[Largo a gola da sua camisa, me viro bruscamente e fico de costas para você. Abaixo a cabeça e assumo um tom profético.]

Eu realmente gostaria que a Vida me desferisse golpes potentes com musculosas mãos de padeiro; que a bigorna do juízo caísse sobre meu cocoruto como um martelo lascando uma castanha do pará.

Mas não, a Vida não é de nada. É professora do Estado e tem bíceps do tamanho de bisnaguinhas seven boys.

Exemplo de japonês verde.



Escrito por Luciano �s 20h26
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4 links

um, dois, três, quatro.

(Ah, e não deixem de ver os dois vídeos do link "dois". Jesus, Bruni!)



Escrito por Luciano �s 20h27
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algo em torno de uns oito graus em miopia espiritual

“Um dia você ficará cego, como eu. Estará sentado num lugar qualquer, pequeno ponto perdido no nada, para sempre, no escuro, como eu. Um dia você dirá, estou cansado, vou me sentar, e sentará. Então você dirá, tenho fome, vou me levantar e conseguir o que comer. Mas você não levantará. E você dirá, fiz mal em sentar, mas já que sentei, ficarei sentado mais um pouco, depois levanto e busco o que comer. Mas você não levantará nem conseguirá o que comer. Ficará um tempo olhando a parede, então você dirá, vou fechar os olhos, cochilar talvez, depois vou me sentir melhor, e você os fechará. E quando reabrir os olhos não haverá mais parede. Estará rodeado pelo vazio do infinito, nem todos os mortos de todos os tempos, ainda que ressuscitassem, o preencheriam, e então você será como um pedregulho perdido na estepe”.

Hamm, em “Fim de Partida” – Fin de partie –, de Samuel Beckett (na tradução de Fábio de Souza Andrade, Cosac Naify, 2002).



Escrito por Luciano �s 00h49
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"All work and no play makes Jack a dull boy." [off topic]

 

Resumo

A necessidade de se automatizar tarefas realizadas por humanos – que em grande parte exigem habilidades de percepção sensorial, capacidade de raciocínio, senso comum e generalização – tem impulsionado o desenvolvimento de sistemas computacionais inteligentes. A inspeção visual em processos industriais enquadra-se neste tipo de tarefa.
Este trabalho propõe a utilização de métodos indutivos, particularmente o de aprendizado de máquina através de árvores de decisão, para identificação de defeitos em placas montadas de circuito impresso (PCB - Printed Circuit Board).
No aprendizado de máquina algoritmos são treinados através de exemplos previamente rotulados, utilizando-se características derivadas do objeto de estudo. O algoritmo aprende quais são as características úteis para a distinção entre classes, avaliando as dependências entre características x classes. O resultado é um classificador, que é basicamente um conjunto de regras, que pode ser utilizado para classificar novos exemplos ainda não rotulados.   
Neste trabalho são apresentados aspectos teóricos em inspeção visual de placas de circuito impresso e aprendizado de máquina – em que foram desenvolvidos protótipos para avaliar a viabilidade de se usar esta tecnologia. Basicamente, o desenvolvimento deste trabalho constituiu-se da extração de características de um conjunto de imagens de placas de circuito impresso montadas, composto dos subconjuntos “placas normais” e “placas com defeito”, submissão destes dados a diferentes algoritmos de aprendizado de máquina e avaliação dos resultados.
Os resultados iniciais apontam que é viável utilizar-se de aprendizado de máquina, através da indução de árvores de decisão, para identificar defeitos em placas de circuito impresso montadas; por fim, são descritos os próximos passos para a conclusão deste trabalho.

Palavras-chave: inspeção de PCBs, visão computacional, árvores de decisão, aprendizado de máquina, inteligência artificial.

 

(Sim, mais ou menos imitando aquele post.)



Escrito por Luciano �s 22h37
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