"O amor pode falhar, mas o cava-
lheirismo prevalecerá" - K.V. apud J.F.

o führer mameluco


batatinha quando nasce, isto é um assalto - ou Da compensação

Se você mora em São Paulo deve ter percebido que na última sexta-feira fez uns 47 graus Celsius. Se você mora em São Paulo eu te devo um pedido de desculpas. Então tá: desculpe, foi mal.

Na última sexta-feira fez uns 47,8 graus Celsius porque tive de usar um terno.  Fazia um bom tempo, então foi com satisfação que me vi bonito num terno preto, uma camisa branca com detalhes na vertical – que não são listras – e uma gravata preta-amassada-de-propósito com pontinhos amarelos minúsculos. Muito bonito, acredite, ainda que eu preferisse estar não tão bonito mas arejado. Sabe, nestas situações me sinto como uma mulher sofrendo para ficar bonita. E é desagradável se sentir meio mulher, principalmente quando não se é gay. Mas vá lá, leitor gay, não estou dizendo que ser gay é algo ruim, estou dizendo que ser confundido com um catador de papel, por exemplo, também não é divertido. É, acho que não melhorei muito. Deixa assim.

Subir a rua Teodoro Sampaio aumentou o calor. Filetes de suor escorriam por sobre minhas costas largas e másculas, e tive de suspender minhas asas de bíceps-poderosos-de-pão-francês para minimizar a transpiração em meus sovacos côncavos.  O problema é que minha envergadura angulosa e gigante impedia que outras pessoas permanecessem na calçada, porque eu, com cotoveladas precisas e impiedosas, os lançava no meio da rua ou para dentro de lojinhas de $ 1,99 – para você ter idéia não ficou uma prateleira de salgadinhos em pé.

Para compensar parei num sebo dali e comprei “Huxley e Deus – Ensaios”, de Aldous Huxley,  e “Realidade e Sonhos”, de Muriel Spark -  cada um por $ 9,90.

(Só não odeio a rua Teodoro Sampaio com toda a força de minhas veias pulsantes do pescoço – mas creio que ao menos com toda a força das veínhas de minhas têmporas – por causa de três sebos bons de lá.)

E então o metrô. Na estação “Clínicas” fazia uns 58,3 graus Celsius (ou talvez eu esteja exagerando e eram só uns, sei lá, 57,5 graus Celsius). O sistema de ventilação daquela linha é uma maravilha e eleva ainda mais a temperatura. Oxalá que não, mas se você já passou por lá sabe do eu estou falando – ó, as dores do mundo! 

Desci na av. Paulista, entrei na Fnac e fiquei vagando. Sempre fico perdido dentro de livrarias. Quero folhear todos, ler todos, acariciar todos os livros do mundo. E é claro que essa promiscuidade gratuita implica em efeitos colaterais – “o salário do pecado é a morte” e tal, ui! -, então que passei os olhos por “Os inimigos não mandam flores”, uma HQ de Ferréz. Amigo, vou te dizer uma coisa ao pé do ouvido, assim, chegue mais perto, por favor: não olhe nem compre uma coisa dessas. Sério, compre um Paulo Coelho ou uma Zíbia Gasparetto, que seja, mas não este aí que citei uma vez e não menciono mais. Dá uma lida nesta resenha e sinta o drama – me senti como próprio rei Lear, vilipendiado pelas próprias filhas.  O que admira e consterna é o fato do autor da HQ ter lido Flaubert na adolescência – li isto no prefácio. Que o gênio de "Madame Bovary" descanse em paz, isento de qualquer culpa.

Para compensar comprei “Breves entrevistas com homens hediondos”, de David Foster Wallace, que já havia reservado por telefone (o primeiro conto é engraçado, o segundo é hilário, o terceiro é bonito, o quarto é estranho e acho que DFW gosta de curtir com a cara da gente).
 
Na saída da livraria uma senhora me abordou e perguntou se podia falar comigo. “Já era” – como se diz por aí. Ela disse que escrevia poesia e que queria publicar um livro e isso custava dois mil reais e sabia o quanto era difícil e que também trabalhava e estava divulgando sua poesia e que eu poderia contribuir com o que eu pudesse.  Me mostrou dois canudinhos de papel e disse: “Um é de poesia romântica, o outro de poesia filosófica”.  “Então me deixa ler o de poesia romântica” (porque o amor é mesmo um saco de pancadas, não é?). A contragosto ela abriu o canudo, com cuidado para não danificar o selinho de duplo-coração, e me entregou.

“Alucinada” é o título. É, não começamos nada bem, dona poetisa. “Nas noites frias (em pleno inverno)”, ai, ai.  Salto uns versos.  “Vamos na emoção afogar a lógica e a razão”, ai, meu Jesus.  Hm,  aqui um “alucinação” rimando com “perfeição”, - merda, eu poderia estar lendo trechos dos livros que comprei. Vamos ver, aqui um “domínio” rimando com “divino” – casseta, que carro bonito é aquele ali, um Tucson? E aqui finalizamos com o nome dela que até que é bonito. Tão dispersa quanto eu, durante minha leitura silenciosa ela olhou para todos os pontos possíveis da av. Paulista, como se estivesse fazendo um inventário.

Se eu fosse realmente um homem corajoso de bom coração, diria com todas as letras que “a poesia é um lixo, tente fazer outra coisa da vida”. Mas como sou apenas uma boa pessoa ligeiramente covarde, lhe dei uns reais e ela disse obrigado. Ela sugeriu que eu presenteasse a pessoa amada; eu ia dizer que não, que amo minha mulher e que só daria para ela no caso de um divórcio– e como não  será o caso, pfui.

Para compensar comprei um copo gelado de água mineral e um prestígio.

Entrei na estação “Brigadeiro”, sentei numa cadeira de plástico e me vi numa plataforma deserta. Com o tempo as pessoas foram se acumulando e uma moça sentou ao meu lado. O vento que vem de lá adiante do túnel sopra gostoso no meu rosto desgrenhando ainda mais meus cabelos negros e sedosos, mas temo que o cabelo mais-ou-menos-ruim da moça do lado se enrosque no meu e nenhum dos dois consiga se levantar para entrar no metrô que acabou de chegar. 

Para compensar fui para casa e de lá pedi Teppan de salmão com legumes.



Escrito por Luciano �s 21h33
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sobre tudo que aí está, não diga nada não

(1)
GMN: "Uma velha questão: o escritor tem uma função política na sociedade?"

Burgess:  "O escritor pode ter uma função política. Mas ele não deve escrever um romance com uma finalidade política. Pode escrever um livro político ou fazer um pronunciamento político, mas, quando transforma um romance num manifesto político, não se pode dizer que esteja escrevendo um romance."

GMN: "A função de um escritor, então, é igual em uma sociedade como a inglesa e em um país subdesenvolvido, como o Brasil?"

Burgess:  "Todos nós devemos tentar botar na cabeça escritores como Henry James ou William Shakespeare - se você quiser voltar no tempo - que se dedicaram ao trabalho de escrever peças. Nós não podemos dizer que linha política Shakespeare tinha! Tudo o que sabemos é que detestava o poder: queria que o povo fosse deixado em paz para levar a vida. Preocupava-se bastante com os problemas do poder político. Lá estão "Hamlet", "Júlio César", "Rei Lear". Suas peças se preocupavam com o poder. Mas, obviamente, ele pensava que, na vida real, as pessoas deveriam estar longe da política. [...] Política é - ou deve ser - uma pequena parte de nossas vidas".

(2)
GMN : Já teve algum ídolo brasileiro, na área do futebol?

Woody Allen- (depois de uma pausa para pensar) “Ídolo brasileiro? Há pouco tempo, li Machado de Assis. Achei que é um escritor excepcional. Uma amiga me deu um livro de Machado de Assis- ‘Epitaph for a Small Winner’ (título da tradução para o inglês de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’). Fiquei muito, muito impressionado. Dei o livro a meus amigos. Porque Machado de Assis não é bem conhecido.”

Respostas de Anthony Burgess (do qual ainda não li nada, mas vou ler) e Woody Allen, em entrevistas concedidas a Geneton Morais Neto [links via Tiago A.]



Escrito por Luciano �s 15h33
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pain, pain, pain

Meu Prozac é a literatura. De forma que tento amenizar o efeito dos causos relatados anteriormente, causos estes que ferem esse meu semblante já sofrido e marcado pela dor. Oh, a dor, a dor! E como me doeu a câimbra na panturrilha? Nem conto. Poupo vocês dos sofrimentos do mundo, quero escondê-los sob minhas asas como se fossem pintainhos de penugem amarelo-aveludada. Escondo-lhes a face implacável da dor. A dor que brinca conosco ameaçando preencher o formulário número 17, e também a requisição de saída de estoque para nossa transferência ao departamento de materiais de limpeza. Adubo? Não, quando se morre não se vira adubo, torna-se matéria prima para fabricação de sabão. Transformam-nos em barras simetricamente retangulares. Muito bonito isso - de fazer o mundo mais limpinho e cheiroso (mas não menos burocrático).

Mas como eu dizia, aplaco os efeitos da dor através da leitura. Dias atrás li "Uma Escola para a Vida" - "Finishing School" -, de Muriel Spark, e gostei bastante. O romance é ambientado em Sunrise, uma escola que oferece um curso de finishing school. Comum na Europa, este tipo de curso é freqüentado por jovens recém saídos do colegial que querem obter formação complementar, assistindo aulas de idiomas, boas maneiras e cultura. Rowland, professor de “redação criativa” que tenta sofregamente escrever seu primeiro romance, se vê obsessivamente enciumado pelo “fácil” talento de Chris, um aluno ruivo de 17 anos, depois de ler os dois primeiros capítulos do livro que o garoto está escrevendo - um romance histórico sobre Mary, rainha da Escócia decapitada no século XVI.

Spark não se dá ao trabalho de delinear precisamente os personagens, é como se ela os rabiscasse a lápis apenas em esboço. O que creio ser um recurso proposital, porque permite uma boa fluidez na transição entre o real e o inverossímil esporádico - em que o inverossímil culmina em momentos hilários. Então não há estranhamento se, por exemplo, os personagens Rowland e Nina, sua esposa, podem ao mesmo tempo figurar em um diálogo realista e “sério”, em que discutem sobre o pagamento de contas e outros problemas da escola, e decidem que o melhor para a saúde de Rowland é que este passe um tempo em um mosteiro entoando cânticos, de forma a se ver longe Chris, sua obsessão.

A crueldade de Spark é atenuada pelo humor amargo, em que chacoalha seus personagens como bonecos, mostrando o tempo todo quem manipula as cordinhas. Nesse sentido há uma cena em que Rowland repete o chavão de que a certo ponto o escritor passa a ser controlado por seus personagens; Chris, neste caso a voz de Spark, responde que com ele é diferente, que as criações lhe são sujeitas e faz com elas o que quiser.

Leia, é divertido.

Uma escola para a vida, de Muriel Spark (editora Ediouro, 2005, 200 páginas - R$ 34,90 na Livraria Cultura.)



Escrito por Luciano �s 10h40
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2007: O Ano das Cousas que Acontecem*

I
O dedão do meu pé direito caiu, digo, a unha - preta há tempos, trauma resultante de minha última incursão no futebol, tentativa natimorta de combater a misantropia. Tudo bem que a unha estava balouçando ao vento há muito, mas agora caiu de vez. Mas isto não é de todo ruim, porque agora não preciso me preocupar se vou enroscar a unha-cadáver no lençol ou edredon ou em qualquer dessas quinas da vida (o Ulisses teve problemas de unha tempos atrás, também jogando futebol, então que compartilhamos as mesmas dores n(d)o mundo).

II
Eu e minha mulher fomos intimados a depor numa delegacia, a falar sobre umas tretas (é assim que se fala?) com uma grande empresa aí. Eu já tinha preparado um discurso de "vocês me chamaram aqui porque sou preto e pobre, e neste país só pretos e pobres vão pra cadeia" e coisa e tal. Mas prestamos depoimento apenas como testemunhas, então não fomos presos numa cela especial e perdemos a única oportunidade de fazermos úteis nossos diplomas de curso superior (o Mauro ajudou no caso e agora é meu 'adevogado' oficial).

III
Prensaram meu dedo médio da mão direita na porta do carro. Não sentia tanta dor desde que assisti "007 Contra Goldeneye", ou desde que vi "A Intérprete", ou desde de que ouvi, por acaso, uma música do AC/DC – alias, sei lá, por mais que me esforce não imagino o particular senso estético necessário para gostar deste tipo de música. Enfim, a unha tem um pequeno nódulo preto. Espero que não caia.

IV
Corro sério risco de ser despedido pela primeira vez na vida. Não estou bem certo se esta observação deveria estar nesta lista. O problema mesmo é que uma vez que eu perca o emprego não terei a mínima vontade de procurá-lo.

V
Dia desses acordei com fortes dores. Impiedosamente, minha mulher declinou da tarefa de buscar bananas para combater uma câimbra em minha panturrilha direita. Fiquei uns cinco minutos gemendo “a dor, ahh, a dor!”.

VI
O mais grave de todos: por motivo de força maior passei o último sábado em Praia Grande, litoral *sul* de São Paulo. Houve um show na praia, e de longe ouvi um cara cantando sem parar: "Me namora, lalala, me namora" e "Quando Deus te desenhou lalala". Na rua, também tinha um cara bêbado que gritava "iêiê" o tempo inteiro. Nestas horas sou subitamente acometido por um fervor religioso, saindo de um teísmo de meia tigela e passando a crer cegamente na existência do inferno e seus demônios.

VII
Se é que a Teoria das Cores de Goethe permite, estou ainda mais preto que no post anterior. Uns caras aí, uns brancos e uns negros, todos catadores de papel conduzindo aqueles carrinhos espertos, me xingaram de vários nomes e gritaram em uníssono: "Saia daqui, seu cabo de guarda-chuva. Nem está chovendo e essa rua não é pra gente da sua laia". Eu levantei a mão direita, a mesma que foi prensada na porta do carro, mostrei minha nova unha roxa do dedo médio e saí correndo. Consegui fugir enquanto eles arrastavam carrinhos que faziam “zummmm” a plena velocidade. Acho que foi aí que acordei com câimbras na batata da perna.

* Título inspirado em "O Livro das Cousas que Acontecem", de Daniel Pellizzari
(Percebem que estou – ui! - me abrindo neste blog? Praticamente um pára-quedas.)



Escrito por Luciano �s 19h05
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Querido diário: sobre minha conturbada relação com The Yellow Face (o cara-amarela de Tolkien, não o de Conan Doyle)

Como é de conhecimento geral, tenho uma tez parda da cor do pecado. Apesar de morena, uma tez que reflete suavemente, em fluxos contínuos e harmoniosos, luzes naturais, luzes luminescentes, luzes fluorescentes, luzes incandescentes - emitidas por lâmpadas destas de sessenta watts.

Minto. Eu tinha uma tez morena. E você me pergunta a causa. Ora, visualize o cabo de um guarda-chuva. Pois sim, estou tão preto quanto um cabo de guarda-chuva, e agora quando começa a chover as pessoas vêm e agarram meus pulsos e canelas e eu sou obrigado a gritar e cuspir neles dizendo "Saiam daqui, retardados, saiam daqui que eu não sou um cabo guarda-chuva".  Agora sinto, com extremo pesar, aquela discriminação velada de que sempre ouvira falar (que é claro, é bem pior do que os ataques que a KKK infligia aos negros do Mississipi da década de 60). Inclusive, dia desses num restaurante um sujeitinho me olhou meio torto e esbravejou: "Saia daqui, seu preto, que este restaurante de R$ 5,70/kilo não é para gente da sua laia". E nem adiantou eu responder que não era negro: "Preto é o seu passadis. Pelamordedeus, não dá para ver que sou pardo? Que sou um pardozinho legal?", e já ia abaixando as calças para eles verem minha virilha parda, mas me jogaram para fora me segurando pelo fundo das calças.

Não, na verdade o sujeito não disse nada, nem me jogaram pelo fundo das calças, mas o cara me olhou de um jeito feio que doeu mais do que se tudo isso tivesse acontecido. Mas não estou aqui para reclamar, Machado de Assis era pardo e tomava o sol do Rio de Janeiro na moleira o tempo inteiro, e ao invés de choramingar foi lá e escreveu “Memórias Póstumas de Braz Cubas”.

Explico o motivo de meu escurecimento. Minha nova cútis foi o pagamento de um fim de semana na praia, onde mesmo um filtro fator sessenta não foi suficiente para me defender da ira solar, ainda que de tão besuntado eu estivesse mais escorregadio que um lobó.

Assim como Gollum, odeio o cara-amarela com toda a força de meus bícepes-bisnaguinha-seven-boys. Odeio o sol, corolário: odeio praias. Vou ao litoral empurrado pelos variados incentivos de minha mulher, cujo argumento final é a ameaça de descumprir sistematicamente suas obrigações matrimoniais. A mim, com este sangue latino fervendo em veias roxas e pulsantes, só resta ceder.

Menos mal que os lugares que visitamos não estivessem abarrotados de gente. Mas o sol, ah, o sol, este algoz que me persegue deste o noroeste paulista até o litoral norte de São Paulo. Este ser onipresente que só nos dá descanso ao cair da noite. E a areia escaldante? Se areia fosse farofa o Nordeste não passaria fome.

A única possível – e teórica - vantagem de estar na praia é o tempo para ler. Isso, é claro, quando a mulher não nos arrasta para a água. E nisto vejo a possibilidade mercadológica para livros impermeáveis, ou melhor: livros anfíbios. Dá para imaginar a cena de,  ao terminar de ler um parágrafo, ser golpeado por uma onda a nos virar de cabeça para baixo, ralando nádegas e couro do cocoruto em igual proporção? E mergulhar com um snork e continuar a ler “Contraponto”, de Aldous Huxley?
 
(Conheci Huxley por acaso há uns quatro anos. Comprei “Admirável Mundo Novo” por causa da capa e sinopse; apesar de ter lido apenas este livro, o homem já era então um de meus escritores preferidos. Em “Contraponto”, Huxley usa um humor bem Evelyn Waugh – ou vice-versa. Mas mais irônico que sarcástico – e o sarcasmo é a marca maior de boa parte dos romances de Waugh -, “Contraponto” é algo mais próximo de “Memórias de Brideshead”. De tão bom de se ler, em poucos dias li umas duzentas páginas – de setecentas, que se diga.)

Na hora de irmos embora minha priminha de quatro anos foi ao banheiro. Depois de terminar o serviço ficou lá mais uns dez minutos chorando e gritando que ia vomitar - pois, vejam só, tem nojinho dos próprios dejetos. Ficou repetindo: "Eu vo... eu vo... eu vo vomitá, buá, buá". Todos riram muito, até que a irmãzinha dela, de dois anos e cabelos cachos-de-mola que fazem tóin-óin-óin, foi lá e apertou a descarga: "Plonto mamãe, eu apetei a descada".

O sol é do mal; mas família não é uma coisa assim... feliz?

Nomes Vulgares: traíra, lobó, etc.
Nome Científico: Hoplias malabaricus
Família: Erythrynidae
(Na praia não encontrei nenhum. Talvez pelo fato de ser um peixe de água doce.)



Escrito por Luciano �s 09h19
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E de novo

Tenho grande dificuldade em me desfazer das coisas. Mas agorinha joguei três cuecas velhas no lixo e estou me sentindo um novo homem.

Bom 2007!



Escrito por Luciano �s 23h10
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