"O amor pode falhar, mas o cava-
lheirismo prevalecerá" - K.V. apud J.F.

o führer mameluco


É um absurdo, meu senhor! Um absurdo!

Eu desprezava um pouco a literatura do absurdo - mesmo sem conhecer. Este gênero me soava como sendo equivalente ao que a pintura abstrata é para as artes plásticas.

(Não que eu seja entendido de arte, mas, você sabe, preconceitos moderados nos protegem das mais variadas decepções. Sempre que vejo uma pintura abstrata automaticamente penso que poderia ter sido ‘borrocada’ por minha irmãzinha de 9 anos - mas, ah, não fique chateado, acontece que minha irmãzinha é uma 'jenha'.)

É claro, uma besta! Mais uma vez eu estava errado. Revisei meu conceito depois de ler "O Terceiro Tira" - "The Third Policeman" -, de Flann O'Brien*.

O'Brien tem uma prosa simples, bonita e engraçada - forçando um pouco poderia até dizer que sua escrita é terna (como se ele estivesse contando estória para uma criança). Lendo o livro é impossível dar uma de vaticinador; o evento a seguir não tem uma forte dependência com o atual, e isto dá numa expectativa constante, gerando uma cócega de curiosidade em saber qual será a próxima surpresa - sim, acho que é isso, é como ter uma pilha de presentes para abrir. Para resumir, o livro é muito divertido; e atesta que não importam os axiomas, e sim o quê se é capaz de fazer com eles.
 
A estória até atenua um pouco o tom de absurdo no desfecho - que dá uma pincelada de realismo –, e também no fato do protagonista sempre se espantar com as situações insólitas nas quais se encontra (ou seja, faz um paralelo constante com a realidade, inexistindo um universo absurdo totalmente autônomo), mas creio que defende muito bem a tal de literatura do absurdo.

Ah, mas vou conservar meu preconceito contra pintura abstrata. Afinal, há de se conservar alguma coisa.

* Só para constar: não li o livro pelo barulho por causa da relação entre "O Terceiro Tira" e a série Lost - mesmo porque não acompanho a série -; li por causa de posts antigos do Soares Silva e da Miss Veen que faziam referências ao autor.



Escrito por LLC �s 21h39
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Eu, o Oswaldo Cruz contemporâneo

Ter algum contato com cultura trash é uma necessidade biológica. Minha recomendação é ler uns trechos de Paulo Coelho (na livraria, é claro), ver e ouvir uma banda de axé, ouvir a voz da Hebe Camargo, tudo em pequenas doses, com muito cuidado e acompanhamento médico. Os anticorpos - hei, eu sei que você pensou em girinos brancos, mas não confunda, anticorpos não são espermatozóides - se proliferam e tornam seu sistema imunológico mais fortinho, com bíceps e tríceps mais torneados.

Só sei que quem não faz o que recomendei pode sofrer todo tipo de moléstia. Um aneurisma cerebral vendo a capa de um livro da Zíbia Gasparetto - não leia, você pode 'empacotar' na hora (meu sonho é ser xingado por um fã da dona Zíbia). Convulsões espasmódicas – vi uma convulsão que não tinha espasmos, mas não lembro onde! - ao passear tranqüilamente e dar de cara com um carro-de-som que dobra a esquina tocando Calipso com um bando de mocréias rebolando. Queda violenta causada por perda momentânea dos sentidos, quicando escada abaixo, ao ler de relance uma frase zen do Paulo Coelho escrita num mural do escritório. Crises violentas de choro ao ver na TV o discurso de um presidente sul-americano-de-língua-presa.

Efeitos colaterais são uma possibilidade. De repente você pode rir de uma piada do Tom Cavalcante; mas daí você disfarça dizendo que ele é ridículo, que ninguém ri daquilo, e muda de assunto.

Use com moderação. O Ministério da Saúde adverte e blablabla.

 



Escrito por LLC �s 20h05
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Pode rir; mas depois eu me redimo falando dos escritores que leio

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Escrito por LLC �s 23h55
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Aleatórias

Assistindo "Os Simpsons" ouço o Homer dizendo que "Deus é 'onívoro', ele sabe de tudo" e coisa e tal. Jesus! não sei como fiquei sem TV a Cabo nos últimos tempos.

-O-

Tenho uma pilha de livros do Nietzsche. O curioso é que destes li um e meio - mais uns trechozinhos de outros -  e gostei de pouca coisa; mas continuo comprando. Sei lá, acho que tenho "pobrema" - como diria o sr. Messias borracheiro.

-O-

Lembrete para mimself sobre a obrigação de trabalhar: Odiar Adão.

-O-

Vi X-Men III.

Sim, os clichês são dos mais terríveis. A trilha sonora nos momentos de "ápice emotivo" me constrangeu um bocado (eu tapava os olhos e tudo). Mas, você sabe, sou uma besta e me diverti.



Escrito por LLC �s 20h51
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