Dezenove vírgulas, e ponto final
“O assistente da recepcionista, um elegante rapaz de preto, com pústulas no queixo e garganta, acompanhou Person até um quarto no quarto andar e, no decorrer de todo o percurso, ficou encarando, com olhos absortos de espectador de televisão, a lisa parede azulada que deslizava para baixo, ao mesmo tempo em que, do lado oposto, o não menos absorto espelho do elevador refletia, por breves instantes lúcidos, o cavalheiro de Massachussetts, com seu rosto longo, magro e lúgubre, o maxilar inferior ligeiramente saliente e um par de rugas simétricas que lhe emolduravam a boca, no que teria sido uma combinação vigorosa, altiva e sadia, não fosse o peso da melancolia a causar-lhe uma triste corcunda, que desmentia cada centímetro de sua majestade fantástica.”
Coisas Transparentes, de Vladimir Nabokov.
Escrito por LLC �s 23h18
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