Eu sou brasileiro e tenho vergonha de ser honesto
No Brasil não há nada mais desconcertante do que ser honesto em público. Sempre que uma atitude honesta é exigida detenho-me, olho para os dois lados, e coloco minha honestidade em prática. Muitas vezes tento resistir; é vão o esforço, o instinto é mais forte.
Sendo flagrado agindo honestamente dissimulo. Assobio, ou olho para o relógio, ou aponto para o céu e, com uma expressão de assombro estampada na face, pergunto: "O que é aquilo?” - enquanto o incauto interlocutor olha para as nuvens, saio na ponta dos pés.
Escrito por LLC �s 15h59
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"Entrai pela porta estreita..."
Os somente feios têm perdão - purgatório lhes basta; feios e chatos não - Mefistófeles os afaga.
Escrito por LLC �s 17h19
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Sobre Especificidade
_ Por favor, pega o meu _____. _ Onde está? _ Ali - apontando o dedo a esmo, sem olhar para o interlocutor. _ Ali, onde? _ Lá - aponta o dedo para a direção contrária da anterior. _ Onde? _ No quarto - diz, um pouco irritada. _ Sei, sei - responde em tom irônico. _ No guarda-roupa. _ Em que lugar do guarda-roupa? _ Na parte das blusas. _ Em cima ou embaixo? _ Embaixo - já extremamente irritada. _ Está aqui - estendendo a mão. _ Obrigado. Caramba, você nunca sabe onde está nada...
Escrito por LLC �s 17h41
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1975 (Vinte e Nove)
No último segundo salvarei minha alma. Retirarei meu lado esquerdo do cérebro com uma colher de sopa; em seu lugar colocarei tufos de algodão de doce.
Em conseqüência não escreverei mais programas de computador; para compensar pintarei como Van Gogh e escreverei como Nabokov - divago, esqueço-me que Nabokov fazia da escrita uma ciência exata. Lerei Goethe, apreciando toda a atitude contemplativa de Werther, aprovando, sem ressalvas, a opção de não mais viver se o amor ideal inalcançável for. Serei como Tomás de Aquino, amarei a Deus sobre todas as coisas e darei as costas para a dúvida - essa vilã que me atormenta. Juntando as palmas das mãos chorarei rindo e falarei em línguas estranhas.
Tornarei-me hermético, ninguém conseguirá tocar minha alma. Desacreditarei na ciência e errarei todos os cálculos; mas salvarei minha alma.
Serei messias de mim.
Escrito por LLC �s 18h27
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No quarto escuro, pisou no rabo do gato preto que não estava lá
_ Olá! _ Oi! Eu te conheço? _ Creio que não. Eu sou Deus. Vim provar que existo.
O incrédulo, com um olhar atravessado, fita Deus por alguns segundos.
_ Você é Deus? Sei... _ Ora, Eu sou e provo. Peça qualquer coisa, Eu posso provar -- diz Deus, com certa irritação. _ Certo -- o incrédulo pensa em mil coisas, mas não consegue imaginar algo fora do universo das olimpíadas. "Maldita televisão" -- pensa ele consigo.
_ Então realize aquele salto "dupla pirueta que causa enjôo" que a Daiane dos Santos faz -- diz o cético, com um sorriso escarnecedor.
Com habilidade e destreza insuperáveis, Deus, com sua longa barba e cabelos brancos esvoaçantes, corre por alguns metros e com grande elegância realiza um exercício digno da medalha de ouro. Daiane dos Santos, se negra não fosse e presente estivesse, enrubesceria de inveja.
_ Pronto. Está provado? _ De jeito nenhum. Isso a Daiane também faz. _ Mas foi você que falou para Eu fazer. _ Sim, mas eu só estava brincando. Você acha que vou acreditar que você é Deus? _ É para isso que estou aqui. _ Putz. Então faz alguma coisa flutuar. _ Aí está -- a mesa ao lado eleva-se a um metro do chão --, satisfeito agora? _ Mas isso qualquer mágico faz. Esse truque vem em kit de mágica. _ Pelo meu Santo Filho, mas o que você quer então? _ Sei lá. Mostre algo que nunca vi.
Deus apoia o queixo em uma das mãos, com a outra mão coça levemente a cabeça. Pensa um pouco, olha para o incrédulo e, por fim, materializa um ornitorrinco.
_ O que é isso? Que troço é esse? _ Esse animal é chamado de ornitorrinco, vive em regiões da Austrália. Sabe, fiz esse bicho quando estava brincando de quebra-cabeças, mas isto não importa. _ Ah, já sei. Coisas da engenharia genética. É um tipo de bicho transgênico, não é? _ Desisto. Tenho mais o que fazer. Não quer acreditar não acredite. Tenha santa paciência. _ Você acha que eu sou trouxa. Quer me convencer com esses truquezinhos baratos. _ Truque barato, o quê? Quê que há? Quê que há? Quê que foi? -- Deus enche o incrédulo de safanões, chuta-lhe a canela e, num golpe de misericórdia, enfia o indicador no olho direito do sujeito. _ Ai, ai, ui! Está vendo? Se você fosse Deus não agiria dessa forma. _ Paciência tem limite, mesmo para alguém infinito como Eu. Conhece o velho testamento? Sabe o que Eu fazia com sujeitinhos que me desrespeitavam? _ Tudo bem, eu entendi. Agora eu acreditei. _ Acreditou mesmo? Olha, eu posso ler teus pensamentos; embora não goste muito de fazer isso, essa coisa de invadir a privacidade dos outros, coisa e tal. _ Pode crer. Acreditei mesmo. É sério.
Eles se observam durante alguns instantes. Depois de uma cúmplice piscadela, Deus, ainda com sua longa barba e cabelos brancos esvoaçantes, desaparece em um lampejo.
O incrédulo está em um turbilhão de pensamentos. Em vão ele tenta colocar os fatos à luz da racionalidade; não consegue organizar as idéias. Pensamentos cíclicos o atormentam. Por fim, entendendo ser inútil toda aquela análise, o incrédulo esboça um meio sorriso.
_ Deve ter sido alguma coisa que comi. Talvez a feijoada. Esse sol também está de matar, deve ser uma combinação das duas coisas: "deu cachorro louco", como diria minha mãe.
Escrito por LLC �s 14h41
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TOC, TOC, TOC. Quem será?
Admiro quem consegue postar quase todo dia. Além da dificuldade em escrever, minha impossibilidade de postar frequentemente consiste no fato de ter extrema necessidade em revisar, e revisar, e revisar o texto – fruto do meu TOC*. Você pode perceber, através da leitura dos posts anteriores, que o resultado não é animador.
Consciente da inutilidade em ser tão seletivo e criterioso, daqui por diante postarei mais ou menos de qualquer jeito - respeitando, obviamente, os limites extremos da possibilidade de lutar contra meu TOC*.
Tenho este post como resultado inicial, pois o escrevi em apenas 40 minutos – imagine o que eu demorava antes. Portanto, as poucas pessoas (talvez única) que lêem este blog podem voltar com mais freqüência, pois é provável que eu diminua o intervalo entre os posts.
Finalmente, o objetivo disso - do blog - é servir para treinar minha escrita. Desta forma, caso você encontre erros terríveis entre meus escritos – algo da categoria “nóis foi, nóis vai” – ou mesmo erros mais simples que teimo em repetir, sendo você uma boa alma, favor puxar minha orelha. Caso não queira comentar no blog - por achar um tanto constrangedor - envie um e-mail para “lucianochaves arroba uol ponto com ponto br”. Obrigado, que Deus lhe pague; pois estou sem nenhum. Citarei seu nome, durante os agradecimentos, quando de minha conquista do Nobel de Literatura.
* Transtorno Obsessivo Compulsivo - que no meu caso foi auto-diagnosticado utilizando questionários “totalmente confiáveis” que recebi por e-mail (aqueles do tipo corrente).
Escrito por LLC �s 14h45
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As Pombas Brancas e o meu Velho Estilingue
Certas coisas me irritam - sim, admito, na verdade são muitas coisas. Manifestações pela paz são dessas coisinhas. Explico. Sinto-me extremamente irritado quando vejo pessoas vestidas de branco, usando camisetas com pombinhas brancas estampadas, dizendo: "Queremos paz, não suportamos tanta violência”.
Para quem o pedido de paz? Com certeza não é para pessoas de bem. O pedido seria para os malfeitores? Algo como: "Por favor, não nos mate. Não estupre nossas filhas. Não assalte nossas casas. Não seja tão cruel. Estupre, mas use KY”.
Qual é a lógica em pedir clemência ao algoz? Que tipo de gente faz um apelo desses? Respondo. É o tipo de gente que não sabe o que faz, porque faz e para quem faz. Se alguém lhes perguntar a razão do protesto provavelmente vomitarão um discurso emotivo, oco e carente de objetividade. Mataram a racionalidade achando que o coração - o amor - tudo vence. Simples lógica pueril, acreditam na bondade intrínseca das pessoas. Essas manifestações são prova cabal do debilitado estado mental dos brasileiros.
Não, não peço paz; sou da guerra. Meta-se comigo e chutarei seu traseiro gordo, tenho dito.*
* Na verdade não sou tão violento, mas tenho me esforçado bastante. Por hora, no máximo consigo dizer Ni à velhas senhoras. Ni, Ni e Ni.
Escrito por LLC �s 17h57
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